Porque de tanto amor hei de chorar–te e querer-te
De nada sabes a não ser das minhas longas e turvas lágrimas
Quem sabe de desespero ou mesmos de alívio
Vivo inebriado com sonhos distantes, mas próximos ao toque
Fugindo ao galopar de uma alma desenfreada e desatinada
Queria ter-te em meus braços ou mesmo em minha boca
Suspiro delírio de intensa ilusão
Amputado por meus próprios sentimentos puros
Ainda hei de chorar-te ou mesmo querer-te em tanto amor
Consolado pelo mundo pouco atraente
Frutificando em angústias e destemperados goles de fel
Procuro-te, anseio-te, repulso-te e amo-te
Como ditador, tirano do meu próprio coração
Desejo-te, brilhando e cantando as glórias
Calmas e comedidas vitórias do nosso amor
Eterno, suave e atribulado amor
Medido a distância dos nossos olhos
Viril e ardente em nossos braços
Pacífico e soluçado quando dito por nossas bocas
Amo-te, como quem deseja o toque de Deus
Protejo-te, como se do mundo nada lhe fosse puro
Acalmo-te, sempre em pacatos abraços de carinho
Mas de nada restaria se em teus translúcidos olhos eu não estivesse
Se de sombra constituir meu futuro
Corro aos seus braços como quem pede colo
Reluto contra todos os golpes de uma vida carnal
Tudo para dizer que amo-te como o céu ao mar
Vivo-te para hoje e por toda a eternidade
Até que a vida faça-me chorar-te e querer-te
Como no despertar de um lindo e doce sonho
O sonho da vida que tivemos e nos doamos.
Thiago Athayde
domingo, 21 de setembro de 2008
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